O resultado do mês foi positivo, mas o dinheiro disponível diminuiu. Em outra ocasião, entrou um valor expressivo no banco e, mesmo assim, a empresa apresentou prejuízo. Essas situações podem ser explicadas quando se observam a movimentação financeira e o resultado por competência. Cada visão responde a uma pergunta necessária à gestão.
O que mostra a visão de caixa
Na visão de caixa, acompanhamos quando os valores entram e saem. Ela ajuda a administrar vencimentos, planejar pagamentos e identificar a necessidade de recursos. Uma venda a prazo pode representar um recebível, mas só produzirá entrada de caixa quando ocorrer o recebimento.
Nem toda entrada é receita. O valor de um empréstimo aumenta o caixa e cria uma obrigação de pagamento. Um aporte do sócio também pode elevar os recursos disponíveis sem representar receita da atividade. Do lado das saídas, a amortização do principal de uma dívida reduz o caixa e o passivo; seu tratamento difere do reconhecimento dos juros como despesa.
O que mostra a competência
Na competência, os efeitos das operações são reconhecidos nos períodos aos quais pertencem, observados os critérios contábeis aplicáveis, independentemente do momento do recebimento ou pagamento. Isso permite avaliar o desempenho da atividade e relacionar receitas com custos e despesas do período.
O reconhecimento da receita depende da natureza da operação e das condições de realização. Emitir uma nota fiscal ou receber um adiantamento, por si só, não resolve toda análise. A contabilidade precisa refletir o fato econômico e os critérios de reconhecimento pertinentes.
Uma operação vista de duas maneiras
Imagine um serviço integralmente prestado e com receita reconhecida em outubro de R$ 50 mil, a receber em novembro. Os custos e despesas dessa operação são de R$ 35 mil, reconhecidos e pagos em outubro. Para simplificar, considere que não existam outros efeitos tributários, financeiros ou operacionais no exemplo.
| Indicador da operação | Outubro | Novembro |
|---|---|---|
| Receita por competência | R$ 50 mil | R$ 0 |
| Custos e despesas por competência | R$ 35 mil | R$ 0 |
| Resultado por competência | R$ 15 mil | R$ 0 |
| Fluxo líquido de caixa | −R$ 35 mil | R$ 50 mil |
Em outubro, existe resultado positivo de R$ 15 mil e uma saída líquida de caixa de R$ 35 mil. Em novembro, o recebimento converte o direito em dinheiro, sem gerar novamente a receita já reconhecida. A gestão precisa garantir recursos para atravessar outubro e cobrar o valor previsto para novembro.
Usar as duas visões na tomada de decisão
A demonstração do resultado ajuda a entender a rentabilidade. O fluxo de caixa acompanha a capacidade de pagamento. O balanço apresenta, entre outros elementos, recebíveis, estoques, dívidas e disponibilidades. A leitura conjunta evita distribuir recursos necessários à operação ou interpretar empréstimos como melhora do desempenho.
O controle gerencial de caixa não constitui autorização para escolher livremente o regime da escrituração ou da apuração tributária. Eventuais opções fiscais dependem do enquadramento e das regras aplicáveis. Para gerir a empresa, recomendamos conciliar os relatórios e investigar diferenças relevantes entre lucro, recebíveis e dinheiro disponível.
Referências para aprofundamento
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- Liquidez e fluxo de caixa para antecipar necessidades e preservar a capacidade de pagamento
- Análise financeira de contratos de licitação e os impactos na carteira de pedidos
- Ponto de equilíbrio para definir quanto vender e com qual margem
- Orçamento empresarial para transformar metas em decisões financeiras
Os exemplos são hipotéticos e simplificados. A aplicação à empresa exige análise dos documentos, dos prazos e das condições de cada operação.